Desenvolvendo o conceito de Mobilidade Humana no contexto das mudanças climáticas e ambientais: o papel da produção de conhecimento pela OIM e pelo ACNUR
Palavras-chave:
Mobilidade humana, Mudanças climáticas, Produção de conhecimento, ACNUR, OIM, Governança globalResumo
Este artigo explora o papel em evolução da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na definição de Mobilidade Humana no Contexto das Mudanças Climáticas e Ambientais (HMCECC) de 2008 a 2025. Utilizando história conceitual e análise interpretativa de políticas, juntamente com o modelo de três fases de Oliver Nay — normalização, fragmentação e assimilação — o estudo examina como ambas as organizações moldaram o discurso e a produção de conhecimento sobre HMCECC. Embora a OIM e o ACNUR tenham mantido um vocabulário consistente, suas abordagens mudaram ao longo do tempo: desde o estabelecimento de vínculos entre mudanças climáticas e mobilidade, passando pela geração de dados analíticos e, por fim, pela consolidação da dominância do conceito, conectando-o a temas mais amplos como gênero, direitos indígenas e agricultura. O ACNUR enfatizou os vínculos entre conflito, violência e mudanças ambientais, enquanto a OIM apresentou a migração como uma estratégia de adaptação que favorece soluções localizadas. Apesar das diferenças, ambas as organizações mantiveram sua produção de conhecimento dentro de seus mandatos por meio de enquadramento seletivo. O artigo também critica a estrutura de Oliver Nay, observando suas limitações ao abordar parcerias multissetoriais e narrativas alternativas da sociedade civil e da academia. Essa análise contribui para uma compreensão mais profunda do papel das organizações internacionais na construção e manutenção de conceitos políticos dominantes, ao mesmo tempo que oferece soluções dentro de seus próprios mandatos.
