Migração climática e econômica: uma análise das dinâmicas entre Moçambique e Malaw
Palavras-chave:
Moçambique, Malawi, Megaprojetos, Mudanças climáticas, Desastres ambientais, Migração climáticaResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar as transformações da migração internacional sul-sul, com foco nos imigrantes malawianos em Moçambique no período de 1980 a 2024. Argumenta-se que, enquanto no início dos anos 1980 a guerra civil em Moçambique (1977-1992) marcou a migração de moçambicanos para o Malawi e seu retorno após o término da guerra (1992), a migração atual tem sido cada vez mais induzida por fatores econômicos e ambientais, caracterizando processos denominados como migração climática (Renaud et al., 2007). O estudo aponta que, entre os anos de 1980 a 1990, a taxa de crescimento populacional de Moçambique e do Malawi foi fortemente influenciada pela migração. No período da guerra civil, a taxa de crescimento populacional do Malawi aumentou abruptamente, enquanto a de Moçambique caiu drasticamente. Atualmente, o crescente fluxo de imigrantes em Moçambique é impulsionado pela presença de multinacionais e megaprojetos que exploram recursos naturais como carvão, gás, petróleo, ouro e pedras preciosas (Patrício, 2016; Mosca; Selemane, 2011; Raimundo, 2011). Os malawianos constituem o maior grupo de imigrantes no país (INE, 2019). Ao mesmo tempo, os atrativos econômicos devem ser analisados considerando também os cada vez mais frequentes desastres ambientais na região, incluindo ciclones como o IDAI (2019) e os ciclos constantes de cheias e secas, que provocam a migração das populações afetadas em ambos os países (Fauvet, 2023; Banco Mundial, 2023). O trabalho foi realizado a partir de uma revisão bibliográfica de literatura. As informações sobre os indicadores analisados foram baseadas em estimativas disponíveis em World Population Prospects; da Organização Internacional para Migração; do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres; do Censo Moçambicano de 2017 e do Censo Malawiano de 2018.
