“Cafe au Lait” na Plaza de la Soledad: cartografias provisórias de migrantes congoleses na Cidade do México
Schlagworte:
Migrantes à espera, Africanos, Espaços de espera, Provisoriedade, ViolênciaAbstract
Nessa nota de pesquisa etnográfica, minha intenção inicial foi tentar mapear espaços importantes na Plaza de la Soledad, para compreender as subjetividades e as necessidades materiais dos migrantes em processo de aprisionamento e de espera. Como muitas notícias e medidas de Donald Trump estavam e continuam sendo implementadas, alguns migrantes passaram mais tempo do que deveriam na referida praça. Em vez de permanecerem por alguns dias ou semanas, tiveram que ficar por meses, e eu queria compreender possíveis necessidades e espaços de oportunidade. Uma estratégia que me pareceu interessante para isso foi a elaboração de cartografias (PRIETO DÍAZ, 2017). No entanto, o idioma, às vezes, impedia a realização de algumas dessas técnicas de coleta. Além disso, havia muita incerteza, pois durante um tempo pensaram que eu fosse jornalista ou policial. Sobretudo, porque muitos estavam cansados de que apenas tirassem fotos e fossem embora, e porque a condição de possível deportabilidade e o retorno forçado eram preocupações constantes para alguns migrantes. Considerando as dificuldades encontradas, optei por descrever situações improvisadas e vivenciadas por migrantes em espaços de espera ao longo de suas travessias em busca de melhores condições de vida e dignidade humana. O espaço de espera observado foi a Plaza de la Soledad, na Cidade do México, onde pude observar e interagir com migrantes latino-americanos, caribenhos e, principalmente, africanos.